terça-feira, 7 de abril de 2009

do que é meu

Sabe que, no final das contas, penso que o segredo da felicidade seja uma memória seletiva. Experimente ficar longe da família que te inferniza, dos amigos que te enchem, do namoro que já anda esgotado, das coisas que te pertencem...
A saudade dá à memória uma incrível capacidade de esconder em um lugar pra lá de inalcançável toda lembrança ruim que tenhamos do que temos.
Esqueço como minha mãe me irrita quando fala sem parar, pra sentir uma intensa falta do suco que ele me faz pela manhã. Esqueço de como meu namoro tem me sufocado, pra lembrar como é bom ter alguém que se preocupe em me fazer sentir amada. Da minha cachorra que se esparrama em minha cama, pra companhia que ela me faz no quarto. Da raiva que sinto das minhas amigas quando elas discordam, pra maravilha de uma cerveja gelada sempre que preciso.
Ser feliz, então, passa a ser não mais um estado de espírito, mas uma condição da memória. E evidencia, mais uma vez, que a cotidianidade, quase sempre, nos faz perder a atenção à sensibilidade do que nos é reconhecível.
É nos detalhes que a felicidade se traveste de hábitos. Eu já disse isso.

5 comentários:

Erica Maria disse...

Ah, linda concordo com vc em genero, numero e grau viu?

As vezes só sabemos o que nos faz bem ou mal, longe, olhando de fora!

Bjos, estava com saudades dos seus textos!

BAR DO BARDO disse...

Samantha, bom texto!

O mundo gira e o ser humano roda.

Viva o movimento!

Anônimo disse...

Muita coisa devemos à falha da memória....coisas lindas! Ali na parte onde a gente esquece a letra da música e completa ao nosso modo, um mundo palatável. E agora põe mais uma cerva. Pra mim água. De mar. Já gostei do mar. Assim: tim-tim!


Bel.

Solin disse...

grande teoria.
"Ser feliz, então, passa a ser não mais um estado de espírito, mas uma condição da memória"

o óbvio cansa, assusta. e por aí tá cheio de gente que disfarça o óbvio.

Paulo Bono disse...

Não tinha pensado nisso.
Mas acho que é por aí.

abraço