quarta-feira, 17 de junho de 2009

moralismo burro ou apenas censura ressuscitada

Fico assustada de imaginar que corremos o risco de regredir em muitas conquistas artísticas e libertárias. Sabe do que eu tô falando?
Voltamos a ter acessos descabidos de moralismo barato em algumas cidades do Brasil. Livros estão sendo retirados das bibliotecas escolares com o argumento de que 'ferem e influenciam negativamente' os jovens por tratarem de assuntos como violência, sexo, morte. O pior disso é que as ações têm sido tomadas de forma autoritária, contra o que se entende por desenvolvimento cultural e educacional e com total falta de argumentos convincentes.
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Para se ter idéia do absurdo, livros de história foram recolhidos por apresentarem gravuras com rituais indígenas de execução dos adversários. Ah, minha gente... e isso não é justamente a história? Não se costuma estudar isso na escola? Ou ainda precisamos ter os livros didáticos pasteurizados, com modelos sociais determinados, que formam cidadãos convencionados e sem atitude?
Dois livros de literatura foram tirados das prateleiras: uma coletânea de contos chamada Amor à Brasileira; e Um Contrato com Deus, de Will Eisner. Os dois acusados de tratarem assuntos inadequados como estupro, violência e sexo. No caso do Eisner, ironicamente, trata-se de relatos de memórias infantis dele mesmo.
Será que em algum momento se cogitou a idéia de que o estudo crítico de literatura desse tipo é que formará jovens atuantes, conscientes e embasados? O senhor vereador Jair Brugnago (do PSDB, obviamente) e seus colegas de militância pensam em acabar com todas as más influências aos jovens de que forma milagrosa? Proibindo músicas, tirando programas do ar, queimando livros? E como será que pretendem acabar com a péssima influência política que os jovens têm hoje, por conta dos belos exemplos de canalhice em nossas câmaras e senado? Queimando esses políticos na mesma fogueira? Ou agindo apenas dessa forma colonialista e hipócrita?
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Sim, estou indignada com tamanho disparate. Um dos maiores motivos de vergonha do nosso passado está sendo ressucitado: a censura.
Daqui há pouco tempo, teremos gente sendo condenada pelo simples fato de pensar e expor, de forma artística, o que pensa sobre a política, sobre a sociedade, sobre a hipocrisia e, principalmente, sobre esse moralismo burro.

14 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Concordo, Samantha.

Vou engrossar o caldo da sua indignação. De acordo com o que diz, parece que figuras públicas são os senhores da moral, ética e bons costumes, mas a mídia interpreta de forma diferente. No caso, a interpretação midiática prova e comprova. E precisa falar mais?!

- Pimenta

Anônimo disse...

Sexo pesado na CBN - por Eduardo Schneider

Fonte: Quarta-feira, 17 de Junho de 2009 - Sexo pesado na CBN - (*)
Jair Brugnago, vereador de União da Vitória, foi nesta terça-feira, 16, a Rádio CBN reclamar de um livro, distribuído pelo MEC, chamado “Amor à Brasileira”, destinado aos alunos do ensino médio.

A obra inclui texto de Dalton Trevisan que seria, segundo o vereador, pornográfico. O apresentador Eduardo Correia, que substituía o titular, José Wille, duvidou que houvesse pornografia em Dalton e desafiou o vereador a citá-la.

O vereador inquiriu se era mesmo permitido citar os tais trechos. O radialista disse que a CBN estava sempre aberta a literatura de Dalton Trevisan. O vereador não teve dúvida e citou:

- “Agora sua vadia, chupa o meu c...”, e, na seqüência: “vem aqui e agora chupa com força a minha b...”, e ainda: “enfia a língua no meu c...”

O constrangimento foi tão grande que chamaram os comerciais. O episódio foi hilário. Deve constar das antologias de episódios cômicos do rádio, com direito a ser citado nas faculdades de comunicação como um clássico.

O que é pornografia?
A polêmica sobre o que é pornografia é antiga e complicada. As frases citadas pelo vereador, e reproduzidas neste espaço com pudicos três pontinhos, são de fato pornográficas.

Ou pelo menos seriam assim consideradas se fossem parte, digamos, de um filme erótico. A questão é: como são frases de uma obra de Dalton Trevisan se transformam em grande literatura e podem e devem ser colocadas em livro didático para adolescentes?

O assunto é complexo. Tanto é assim que os apresentadores da CBN ficaram “audivelmente” constrangidos com as citações do vereador. Curioso isso. Não é de bom tom citar trechos do autor na rádio, mas é perfeitamente adequado oferecê-los a estudantes?

É aí que bate o ponto. Nada impede que uma obra literária de alto valor contenha cenas sexuais fortes com práticas eróticas incomuns como a anilíngua (estimulação oral do ânus), que é solicitada por um dos personagens. Mas é adequado fornecer relato dessas práticas a adolescentes que estão, presumivelmente, iniciando sua vida sexual?

Opção
Todos sabem que um adolescente hoje, se quiser, pode ficar mergulhado 24 horas por dia na pornografia mais pesada navegando na internet, sem pagar nada. Só pegando alguns vírus, espécie de gonorréia virtual. Mas temos aí uma questão de opção. O adolescente liga o seu computador e procura sites pornográficos. A escola fornecer material dessa natureza – o que torna seu consumo obrigatório para todos - é questionável.

Mais estranho ainda. O sexo é um tema central da obra de Dalton Trevisan, mas raramente aparece em termos tão crus, como aqueles citados no ar pelo vereador, extraídos da obra distribuída pelo MEC. A impressão que fica é que a obra foi escolhida a dedo (epa!) para integrar a obra do MEC.

(*) Eduardo Schneider é jornalista, crítico, um atento observador da política do Paraná e do Brasil. É colunista do jornal horaH e horaHNews. Contato: eduardoschneid@hotmail.com

Samantha Abreu disse...

Eduardo,
estamos vivendo o momento da febre pelo politicamente correto? A verdade é que ninguém está nem aí se existem jovens lendo palavras como "boceta", "cu", "caralho" (sim, nesse blogue essas palavras podem ser escritas e lidas), o que está na moda é ser moralmente limpo. É dizer que esse tipo de palavra não pode estar na boca de jovens! É ser educado ao ponto de se defender que adolescentes não podem ler sobre sexo! Oras, sei que opiniões são diferentes e a minha é de que isso é uma babaquice sem tamanho!
Da mesma forma como você cita que a internet está à disposição e se trata de opção, eu digo que esse tipo de texto não está na escola para fins masturbatórios ou sexuais. Eles estão lá para serem estudados e ensinados com um contexto: o artístico, o literário.
Aliás, não é de hoje que a literatura passa por tipos de censura ao ser inserida nas escolas. A diferença é que se luta tanto pelo desenvolvimento cultural dos alunos e, quando isso pode, finalmente, acontecer, somos vítimas de tal moralismo chulo e de uma acesso moderno politicamente correto. Já pensou o que seria de nós, estudantes dos anos 80, se tivéssemos tido oportunidade de ler obras polêmicas, que criam discussões, que retratam a realidade? Talvez, nossa geração seria hoje muito mais consciente e atuante. E mais: nós não tínhamos que ler O Cortiço, de Aluísio de Azevedo? Naquela época, era absurdamente imoral, desapropriada, quando hoje não passa de literatura naturalista.
Qual o problema em ensinar e mostrar as coisas como elas são? A cena sexual só relete sexo para quem a retira do seu contexto social, do seu contexto literário. Deixem os jovens lerem, pelo amor de deus! Qual o problema com isso?

Marcos Satoru Kawanami disse...

a classe política já pôs o cabresto em todo o mundo (quem não quer uma bolsa-família, compra oficial de voto com verba federal?), e a imprensa é mercenária, sempre foi.

ah..., tá demorando pra começar a reprise da Dona Beija; fazia 2 anos que não ligava a TV, por nojo, tanto do noticiário quanto da ficção; mas essa novelinha de 1987 lembra minha infância.


=D
marcos

james p. disse...

Concordo com você.A propósito,amei seu blog.Um abraço.

Martha M. disse...

Realmente eu ouvi falar nisso.

Existem rituais indígenas que enojavam e ENOJAM ainda hoje: no Amazonas, existe uma tribo que enterra crianças que não são, como eu diria: normais. No sentido diferente da palavra, tipo ela não fala até os 5 então eles consideram ela anormal, defeituosa.

Gostei muito do seu blog. Pretendo voltar!

"Monica Mamede" disse...

Eu não estava sabendo disso não... obrigada pela info, vou repassar.


Abraço,

Monica

Fernando R. Silva disse...

Sabe o que é mais demagogo? Quem milita por essa causa estúpida não age como legisla. A coisa do faça o que eu digo, mas não faça o que faço, sabe?

Acredito que o que tem que melhorar é a educação, oras. Ao invés de professores que enfiem decorebas e livros goela abaixo, ensine-os do que se trata, que é ficção, que é história. Enfim, se a exposição das coisas forem tolhidas, qual parâmetro termeos para diferenciar o gênio do mediocre?

Samantha, será que voltarão os tempos em que os artistas tornarão a serem tachados de vagabundos e prostitutas?

É hipocrisia demais...

Fernando R. Silva disse...

Ah, e endosso tudo que respondeu aí acima, que por acaso, só li agora.

cprsbr disse...

Uma Censura Equivocada
Causou-me estranheza e ao mesmo tempo revolta, o fato de ler estampado em Zero Hora notícia sobre atitude da Secretária de Educação do Rio Grande do Sul contra as publicações alcançadas pelo MEC às bibliotecas de escolas públicas brasileiras, entre elas as bibliotecas gaúchas. Tratava-se de uma “recomendação para retirada das prateleiras” dos livros Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço, O Nome do Jogo e O Sonhador, todas de autoria de Will Eisner.
São contos em quadrinhos e, talvez, a interpretação, dada pela Secretária, de que o material seria inadequado para os adolescentes para ser usado como material nas escolas porque estimularia a erotização, o comportamento agressivo e uma percepção inadequada das relações afetivo-sexuais entre adolescentes se deva justamente à força expressiva e realista que Eisner empregou em sua obra, o que já lhe rende alguns pontos. Tratou-se, portanto, de uma “leitura” simplista da obra e demonstra que sequer se observou o contexto das ações, seus personagens, a temporalidade e o texto enxuto, que traz um lirismo objetivo e racional, próximos ao realismo Machadiano ou naturalista de Aluísio de Azevedo.
É sob esse aspecto, que a censura às obras deve ser contestado. Não apenas pela negação ao acesso a uma obra artístico-literária, mas pelo que representa em termos de possibilidades de debate e enriquecimento do ambiente pedagógico a comparação, por exemplo, entre os contos presentes em O contrato com Deus e os capítulos de O Cortiço. Seres humanos bestificados e que transformam seus desejos primitivos na força motriz de suas ações de sobrevivência numa sociedade em formação pode ser a síntese de ambos.
No conto que dá nome ao livro, o que é a ganância imobiliária executada pelo imigrante judeu Frimme Hersch e sua amante, no Bronx em plena recessão americana, senão a mesma ensandecida busca de riqueza e status do português João Romão e Bertoleza nas lamacentas ruas cariocas do final do século XIX? Em O Zelador, há sim pedofilia. Porém com mais singeleza e sutileza que a encontrada em Lolita, de Vladimir Nabokov e que passeia livremente pelas prateleiras de qualquer biblioteca escolar. Eisner, no entanto, mostra a crueldade e poder de sedução de Rosie, que convence Scuggs a pagar para vê-la seminua e em seguida envenena seu cão e rouba-lhe o dinheiro. Ao perseguir a menina, o zelador acaba encurralado e finalmente livra os moradores de sua presença, tomando a mesma atitude de Bertoleza, ao se descobrir escrava novamente.
Apenas a exploração destes livros nas aulas de Literatura e entre alunos do Ensino Médio já promoveria uma série de elementos para debate e produção de textos. Pois o vigor criativo dos autores transita entre o grafismo e as letras, tendo como mesma ferramenta o lápis. E isto, para os adolescentes, seria como optar entre ler o manual ou jogar um game. Ou seja, ambos se complementam e a opção entre um e outro vem de uma escolha pessoal. Justamente o que acontece em O Sonhador, outra obra censurada, cujo personagem central muitos adolescentes se identificariam. Ali, um jovem desenhista enfrenta muitas dificuldades em busca de espaço para seu trabalho, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.
A censura às obras é um equivoco e a reparação pode estar no desafio de incluí-las nos projetos pedagógicos das aulas de Literatura, pois o lirismo e arte de Will Eisner não podem ser desperdiçados.

Professor de Literatura, Língua Portuguesa e Inglês - Especialista em Direitos Humanos.

cprsbr disse...

Will Eisner para todos
Cineasta Jorge Furtado contesta a origem das polêmicas sobre “inadequação” de obras literárias para estudantes

Chegou ao Sul a polêmica dos livros ditos “pornográficos” adquiridos pelo Programa Nacional de Bibliotecas nas Escolas (PNBE), do governo federal. Boa matéria de Marcelo Gonzatto em Zero Hora (sexta-feira, 19/6/09, pág. 50) informa que “esta semana, quando chegou uma nova remessa ao Estado, uma escola de Alvorada relatou à SEC que considerava as obras de (Will) Eisner impróprias”. A Secretaria Estadual da Educação, segundo a matéria de ZH, mandou “remover das estantes três livros do autor norte-americano Will Eisner por serem ‘inadequados’ para adolescentes”.

É uma pena. As obras em questão são três novelas gráficas, em quadrinhos, escritas e desenhadas por Will Eisner. Não li O Jogador, mas afirmo que Um Contrato com Deus (Editora Brasiliense, 1988) e O Nome do Jogo (Editora Devir, 2003) são obras-primas de um grande artista, e seria um grande serviço da escola pública gaúcha disponibilizá-las aos seus alunos.

A matéria de Zero Hora tem como título uma pergunta: “Pedofilia, estupro e adultério são temas para estudante?”. Minha resposta é sim, é claro que são. É óbvio que cada livro deve ser adequado a idade do aluno, ninguém pensaria em sugerir a leitura de Sade ou Pierre Louys a crianças, mas afirmo que os livros de Will Eisner são totalmente adequados a adolescentes. Mais que adequados, necessários. A ideia de que um assunto deva ser sonegado aos estudantes contraria qualquer noção pedagógica, além do bom senso. “Saber sempre é bom”. Familiarizados com temas como a pedofilia, o estupro ou o incesto, jovens brasileiros talvez possam se sentir mais aptos a evitá-los ou mais encorajados a denunciá-los. É para isso, para aprender sobre nós mesmos, que existe a literatura e a arte, divulgá-las é função da escola.

A polêmica do livros “pornográficos” anda rebaixada, como quase todo o debate público, pelo astigmatismo ideológico que “politiza”, na pior acepção da palavra, qualquer conversa. Em São Paulo foram os petistas que caíram de pau no governo Serra por distribuir livros “pornográficos”. Will Eisner, Manoel de Barros e outros depravados foram citados por gente furiosa, que pedia que o governo estadual paulista gastasse dinheiro com “literatura de verdade”. Aqui a crítica parece que mira o governo federal e o MEC, que comprou os livros. Quase todos os críticos falam das obras “em tese”, informam “não ter lido” mas... José Serra, sem ler, afirmou que as obras eram “de baixa qualidade”, e o governo gaúcho “não descarta recorrer a uma medida judicial para impedir a distribuição” dos livros.

Sugiro aos interessados que, para começar, leiam os livros. Garanto que são de altíssima qualidade e, ao contrário do que afirma a secretária Mariza Abreu, a obra de Will Eisner não “estimula a erotização, o comportamento agressivo” e muito menos “uma percepção inadequada das relações afetivo-sexuais”, ao contrário. A obra de Eisner, assim como a Bíblia, Shakespeare, Machado de Assis, Cervantes, ou a obra de qualquer grande autor, utiliza os temas fundamentais que animam o espírito humano, incluindo aí crimes e pecados. Tratar temas como agressão, adultério ou pedofilia não significa “incentivar” a agressão, o adultério, ou a pedofilia. Significa conhecê-los. Não é esta a função da escola?

* Cineasta, dirigiu, entre outros, “O Homem que Copiava” e “Saneamento Básico, o Filme”

JORGE FURTADO * em zero hora de 22/06/09

Samantha Abreu disse...

Aê, Jorge Furtado. Obrigada ao colega aí que postou esse texto dele.
Acredito em críticas, ainda que opostas, quando são feitas por pessoas com o mínimo embasamento artístico/literário necessário para julgar se uma obra tem, ou não, cunho pornográfico.
É óbvio que essas obras não têm.
O que sobra são dois motivos básicos:
1)- Politicagem da brava. Partido querendo queimar partido e, mais uma vez, prejudicando a educação com essa gracinha;
2)- A despreparação não está nos adolescentes alunos para receberem os assuntos polêmicos. Não. Está nos professores, nos profissionais de educação, que usam um cabresto enorme e não exergam o mundo um palmo longe do próprio nariz, em aplicá-los com visão num contexto social, político e humanitário.

Paula disse...

Essa censura é um pensamento tão ultrapassado que eu até poderia dizer que me envergonho de quem é a favor dela. Mas não o faço, pois pior é aquele que não discute suas ideologias, mesmo que conservadoras demais, ultrapassadas. Pois se não discutí-las, apenas fingir que é 'politicamente correto', que "O inferno são os outros", não progrediremos.
O brasileiro tem uma máscara, colocada a tanto tempo, de falsa compreensão, que demorará a cair ainda. É com a discussão dessas ideologias que cada indivíduo pode decidir o que é melhor para seu futuro.
Mas daí a impor tamanho retrocesso na educação das nossas crianças? É triste, ainda mais quando vemos que estamos formando indivíduos sem discernimento algum. Como diria minha avó "Se o chão for verde, sai pastando".
Esse pensamento de afastar a realidade dos olhos dos jovens é extremamente retrógrada. Pois a maioria dos nossos jovens hoje a vê diariamente, da pior maneira possível. Em casa, na rua. É sempre pela informação que evoluimos. Afinal o sábio não é aquele que responde algo, mas aquele que faz as perguntas certas. E se negarmos-lhes as respostas, estaremos matando a genialidade dos nossos jovens.
Concordo plenamente com você, em minha primeira visita ao site... Espero voltar e encontrar mais textos ímpares assim, estou precisando constatar que existem ainda alguns poucos dispostos a mudar o futuro deste mundo, que carregam um pouco de discernimento atrelado a suas mentes
Encantada,
Paula A.

eduardopatricio disse...

é o caminho pra formação de gente cega e dependente. jaula e comida na cumbuca, às vezes.