sábado, 28 de novembro de 2009

AVESSO

foto de Nadya Kulikova

A pele lisa, o cabelo solto, o sorriso esticado.
Sou toda ostentação da ventura.
Minhas próprias formas de me aconchegar em máscaras.
A conversa proposta,
a gargalhada dissimulada,
a satisfação inventada.

Sou toda arquitetura:
com sacada, paisagem e brisa.
Sou a brisa,
o copo gelado,
o arrepio dos pelos.
Aqui fora, claridade.

Mas o avesso está coberto de sangue.



Samantha Abreu

9 comentários:

Rogério Saraiva disse...

Engenharia corporal do vermelho seco sangue.

Pedro Du Bois disse...

e nem por isso o sangue transmuda o corpo em reverso: apenas denota o que mostra: mesmo que em verso.
abraços, Pedro.

Gio.M disse...

Ah *____*

Me apaixonei pelas tuas palavras !

Muito bom esse poema.

Parabéns o/

bj

Paulo disse...

Sah.
Ainda bem que não moro em prédio.
Esse poema me convenveu que podemos voar ( sem avião.....rs.).
Me relaxou no céu.
Um escaldapé de Hermes.
Beijos.
º

Marcos Satoru Kawanami disse...

o meu avesso também tem sangue, venoso e arterial, e circulando.

putas resolutas disse...

o último verso é uma tacada certeira - muito que bem!
besos
líria porto

Grazzi em ContRo disse...

ah puxa, não devia valer me fazer chorar. ou devia?ará!

Leite de Pedra disse...

Raro momento de magia poética. Notável!

Ludmila Barbosa disse...

U - A - U

Saudade imensa de te ler, e como já disse alguém por aqui, o último verso foi a tacada certeira.