sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Meu Mar de Mortos

foto de lina scheynius

Sonhei que pendurava todas as minhas ânsias no anzol das oportunidades. Mordiscavam as chances de amor e liberdade, mas não eram fisgadas. Também sonhei que em cada novo anzol reluziam todos os meus desejos, todo meu torpor e toda a febre que me arde do princípio ao fim. Do princípio ao fim. As chamas. A fogueira. Todos pendurados na ponta do anzol. Joguei ao mar, carregando o braço com toda força nascida do vácuo, do ardor vazio e espaçoso que escondo por detrás das frestas. No instante em que finalmente a primeira chance de vida mordeu meu anzol, o mar se tornou um imenso e negro purgatório de ensejos aniquilados. Negro e infinito mar de mortos, tão desmedido que me saltava desconhecimento de mim aos meus próprios olhos. Chorei por cada um nos inumeráveis cadáveres das minhas perspectivas.
Joelhos ao chão, rezei por todos eles.
Rezei por eles, por mim e por esse imenso mar que diariamente me molha as canelas, asseverando o momento inesperado da fatal marulhada.


Samantha Abreu

4 comentários:

Grazzi Yatña disse...

Eu tb não consigo sair sempre da festa sem ser vista. Ainda bem.

Beijos.

Fabrício Brandão disse...

Também nos alimentamos dessa face obscura das esperas.

Beijos, querida!

!! MeNiNa dE aMaRaLiNa !! disse...

Menina.. você leu a coluna da Célia Musili esse domingo na Folha de Londrina sobre o Bortolotto? Lindo... Se por um acado não viu, postei no meu blog pra todos lerem. Fiquei emocionadíssima. Bjs

Linda Graal disse...

que lindo sá...nem te conto por aqui o qto esse mar assola a ponta dos deditos do meu pé...rsrsrs

beijo