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Ele me chamou pro jogo, e eu sem a rainha. Ligou o som, virou-se pra mim: ‘Give me one reason to stay here and I'll turn right back around’. Mal sabia que eu já estava outorgada e não via outro motivo, além disso já ser um motivo, para convencê-lo a ficar. Eu nada tinha a oferecer a não ser umas curvas arredondadas e escorregadias até pra pneus de chuva e algumas frases feitas. Apenas uma garota clichê, com sorrisos prontos e músicas pop. Mas tudo que eu precisava naquele momento era que ele me desse uma experiência através dos riscos nas paredes e explosões não terroristas. Sem nomes, meu amor, detesto nomes, disse o Marlon Brando. Era dele o tabuleiro, mas não me negava a brincadeira e me cantava com ‘because I don’t want to leave you lonely’.
Exato, esse é o ponto.
Quando levantei, ele já me tinha pelas mãos na cintura. O embalo era tão sísmico que me abalou aos tremores não mensuráveis. De olhos fechados, eu não respondia mais por movimentos, atos ou copos no chão. Sentia o balanço e o preenchimento de todo meu leave me lonely. A cabeça pendendo sobre nós no centro-limite em que um corpo ainda não era outro, embora nós já fossemos apenas um no universo, não no coletivo e infinito, que também é mundo, mas naquele nosso, bem mais mundo que todos aos quais poderíamos pertencer.
Perdemos o tempo do tempo. Nos enrolamos no chão até que nosso mapa mundi fosse do meu ao dele em apenas um oceano de suor e vulcões-poros em plena erupção.
Estava ali, no tapete, he’s reason to stay. Você consegue ver - ele disse - que onde me começo te termino e que não há mais espaço para ser você mesma em você? Não me saiu um sussurro sequer. Dizem que esse é o silêncio-sinal.
Foi ali, bem ali, que percebi.
Exato, esse é o ponto.
Quando levantei, ele já me tinha pelas mãos na cintura. O embalo era tão sísmico que me abalou aos tremores não mensuráveis. De olhos fechados, eu não respondia mais por movimentos, atos ou copos no chão. Sentia o balanço e o preenchimento de todo meu leave me lonely. A cabeça pendendo sobre nós no centro-limite em que um corpo ainda não era outro, embora nós já fossemos apenas um no universo, não no coletivo e infinito, que também é mundo, mas naquele nosso, bem mais mundo que todos aos quais poderíamos pertencer.
Perdemos o tempo do tempo. Nos enrolamos no chão até que nosso mapa mundi fosse do meu ao dele em apenas um oceano de suor e vulcões-poros em plena erupção.
Estava ali, no tapete, he’s reason to stay. Você consegue ver - ele disse - que onde me começo te termino e que não há mais espaço para ser você mesma em você? Não me saiu um sussurro sequer. Dizem que esse é o silêncio-sinal.
Foi ali, bem ali, que percebi.
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Samantha Abreu



