sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Resolução

foto de miceeatcheese
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Da minha janela pode-se ver o movimento onírico que me apetece. Desejos se misturam aos fantasmas libertos pelo esfregar de mãos em garrafas geladas. Não quero mais olhar para o céu, já perdi a conta das estrelas, já perdi a conta do teu colar no meu. Não renuncio às febres que ainda terei, não abdico da violência pura e imediata dessa liberdade inexperiente que me pertence.
Negada a entrega, foi me imposto muro. Ainda revirarei páginas, secarei canetas, queimarei tabacos e gastarei amores.
Mas para você ou para o céu eu não olho mais.


Samantha Abreu

das resistências

"Tenho a boca afiada de punhais
não choro
olho os faróis com duros olhos
ardidos de quem tem febres
mas não sangro
as mãos vazias deixam passar o vento
lavando os dedos que não se crispam
não há palavras, nem mesmo estas
o único sentido de estar aqui
é apenas estar secamente aqui
cravado como um prego
em plena carne viva da tarde."
(Caio Fernando Abreu)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

É preciso um bocado de tristeza...



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No carnaval, essa solidão estrangeira sempre me visita para assistir a festa alheia. Mas eu não sei sair pra rua de corpo pintado. Eu queria era me enrolar numa saia de renda, sapatilhas e serpentina. As fantasias sendo o que elas sabem de melhor: fantasias.
Gosto dos sambas tristes. Dos sambas com melodias docemente melancólicas. A história do ‘é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba, não... ’. Pois é.
Sim, sou das tradicionalistas carnavalescas, que ficam resmungando algo do tipo: cadê nossa folia de fantasias, cadê a euforia do samba? Está renegado tão somente por essa mulherada pelada e plastificada.
Digam o que quiserem. Detesto esse carnaval que aí está.
Além de tudo, deixa a cidade vazia e nem beber no meu boteco eu posso, porque está fechado.
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Por isso, está aqui o mínimo do que penso ser alegria, um pouco do que é o meu carnaval:

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Samantha Abreu
foto de Isabel Santana

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Estado (In)determinado

O que sinto não é belo,
não me faz sorriso esticado,
não ilumina de sol.

O que penso não é agitado,
não tem pessoas bebendo,
não tem amigos à toa.

É como estar em uma caixa
encolhida,
sem espaço, ofegante.

Dizem que é amor,
mas eu acho que é
estar repleta
de solidão.


Samantha Abreu
foto de Lara Jade

Homo Erectus

okay, ser fã de Marcelino Freire não é novidade...
(tem jeito de não ser?)
[como é que um cara consegue ser poético de um jeito tão modernamente dinâmico e encatador, sem ser, por nenhum momento, blasè, previsível ou clichê?]
Até aí tudo bem ... o que quero dizer agora é que esse vídeo ficou du cacete!
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