domingo, 31 de maio de 2009

Quadrinhos no Cemitério

Sempre achei que os Quadrinhos fossem uma arte plural. E é. Sim, estou falando sobre bons quadrinhos, de roteiros bem feitos e, na maioria, adultos, com conteúdo filosófico e humor bacanérrimo.
Mas o legal disso tudo é que, cada vez mais, um mundarel de gente tem se interessado e passado a reconhecer a arte como visual, literária e plástica, por que não?
Pois bem, a partir do dia 03 de Junho, teremos, em Londrina, uma série de eventos direcionados aos quadrinistas, aos fãs, apreciadores, leitores e afins.
Segue aí uma programação muito bacana, que será hospedada pela Vila Cultural Cemitério de Automóveis.
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Sessões de paletras, workshops, cursos e oficinas, com temas que vão do nu artístico, passando por fotografia e semiótica, até um laboratório de roteiro:
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Além disso, teremos uma Festa à Fantasia no dia 06, e um Sarau no dia 13 com encenação de textos de Will Eianer.
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Se você for daqui ou estiver em Londrina, está convocado!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O cara lá de casa

Eu ainda era menina quando escutava rock’n roll num volume estridente vindo da sala. Ele apagava todas as luzes e nos proibia de interrompê-lo. Também era garotinha quando andávamos de bicicleta no domingo pela manhã, como se eu fosse a única companhia que realmente importasse pra ele. Não tinha nem dez anos quando ele me colocava sentada naquelas motos enormes que sempre gostou, e tirava fotos com poses de motoqueira e óculos modelo caçador.
Na pré-adolescência, era o terror dos meus amigos, era o mais bravo, o mais briguento. Ninguém gostava de brincar na minha casa, mas tinha que ser lá, pois ele não me deixava ir para as outras. Não aceitava notas ruins no meu boletim, não me deixava faltar às aulas. Alugava filmes todos os dias para que assistíssemos à noite, depois da novela, ou na correria da hora do almoço. Eu nunca podia escolher os desenhos animados, pois ele sempre me fazia ver ‘os clássicos’. Foi o terror dos meus namoradinhos, dos amigos-meninos e das festinhas de garagens, mas foi ele que me ensinou a continuar em pé quando eu achei que o mundo tinha acabado junto com o primeiro namoro.
Ficou ainda mais próximo quando foi morar em outra casa, sofrendo como poucos e ganhando todo o meu fascínio. A partir daí, não era mais apenas meu pai. Desde então, é meu amigo. Aquele com quem falo de música, com quem tomo cerveja, troco descobertas, com quem discuto horas e horas sobre qualquer assunto, justamente por sermos tão idênticos e teimosos incansáveis.
Foi dele que ganhei meu primeiro VHS do Pink Floyd no aniversário de 13 anos. Dele ganhei, também, um Fiat 147, que só dava problema comigo e nos fez, eu e minhas amigas, passarmos micos memoráveis. Foi na locadora de vídeo dele que trabalhei na adolescência e me tornei essa apaixonada por cinema, embora tenhamos gostos tão distintos (com exceção dos clássicos, é claro).
Sempre achou legais as coisas das quais eu gosto, me incentivou a fazer coisas que as outras pessoas não fazem e me ensinou que amigos verdadeiros e personalidade forte não têm preço.
Meu pai faz 56 anos, hoje. E eu peço, todos os dias, para Deus ou o que quer que seja, que ele viva mais dez vezes isso.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Nossas Bodas de Madeira

foto de anastasia volkova
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Esse blogue está completando 5 anos!
É dedicação, acredite.

Entrega

“Assim, ela se acostuma a ver e amar um único objeto; seu espírito, quando concebe uma idéia, não a deixa mais, abraça-a, anima-a, vive eterno com ela; sua alma quando chega a amar, é para nunca mais esquecer, é para viver e morrer por aquele que ama.”
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do livro A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Depois da Guerra

photomaton, no Flickr
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Depois da guerra, eu tento voltar a mim mesma.
Um combatente em retirada, que entra pelo portão de uma casa que não é mais sua, embora ainda lhe pertença. As pessoas dali ainda têm o seu sangue, mas acostumaram-se à sua ausência. Os lençóis já não o reconhecem, os colarinhos e coisas não mais têm o seu cheiro.
Ele mesmo, soldado vencido, já não se encontra mais em si. Não se acha, mesmo quando vasculha, apressado, as gavetas do peito e da própria cabeça. Não reconhece suas novas cicatrizes, não lhe parece familiar a textura da pele nem os calos nas mãos. É alguém que, no cansaço da luta, se fragmentou em mortos e feridos, e mudou na velocidade do disparo de cada bala.
Sou eu esse guerreiro.
Sou eu que reapareço, trazendo comigo pedaços de corpos e almas que não me pertencem, mas agora fazem parte da unidade necessária para que eu me recomponha e, no devido tempo, retorne ao meu campo de batalha.


Samantha Abreu

é nosso, é nosso...

"Quando se ama, tamanho é o amor, que não cabe em nós: irradia para a pessoa amada, onde topa com uma superfície que lhe corta a passagem e o faz voltar para o ponto de partida; e essa ternura que é nossa, é o que chamamos o sentimento do outro, e mais nos agrada o nosso amor quando vem do que quando vai, porque não notamos que procede de nós mesmos."
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(Marcel Proust)