terça-feira, 29 de setembro de 2009

da desordem dos recomeços

Em nenhuma das costuras que nos remendam ficaremos inteiros: eu, você, você, eu. Hão de se esgarçarem aos impactos, hão de se arrebentarem nas rochas.
Em nenhum dos retoques ficaremos refeitos. Duas cicatrizes de feridas que sempre doerão e continuarão se abrindo pelo ardor de memórias.
Em todos os consertos nos sobrarão rachaduras. Seremos sempre esse desencaixe. Mãos que não se entrelaçam, suores que não colam, pés que não se enroscam. A cara metade deformada pelo tempo e pela tênue linha entre o amor e ódio, filhos da mesma chama: brasas de uma única fogueira, que fagulham juntas mas morrem por ventos de distintas direções. Um contorno mal feito, uma descombinação, um descompasso, uma desproporção.
Uma história sem pé nem cabeça.


Samantha Abreu
foto de reejka

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

CAPRICHO

A vontade
é você
à vontade.



Samantha Abreu
foto de Elle Milla

Do que se aprende com crianças

Depois do nosso jogo de dados, em que ganhei por três a dois, eu e o Pedro – meu sobrinho, cinco anos - batíamos um papo sobre as coisas da vida:
- Não quero mais jogar com você.
- Só porque você perdeu no final? Você ganhou duas vezes!
- Mas você ganhou três.
- A gente não pode ganhar todas as vezes, os outros também precisam ganhar de vez enquando.
Alguns segundos de silêncio, ele vira e me diz:
- Então porque você quer o que Palmeiras ganhe todas as vezes?

Pois é...
Eu até pensei em vários motivos pra dizer a ele como: para não deixar que o Corinthians vença, para todos entenderem que nós somos os melhores ou, até, que essa história de que se deve deixar os outros ganharem uma vez ou outra, serve para as poucas campanhas decentes que o tal timinho alvinegro faz.
Mas preferi não dizer nada. Afinal, a balela de que ‘todo mundo tem que vencer alguma vez’ foi minha.
Quem é que não quer ganhar sempre que pode, néah?

domingo, 6 de setembro de 2009

O céu sobre a língua

foto de rooze
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Uma língua pode ser usada para inúmeras necessidades particulares. Incita-se o beijo, limpa-se os dentes e se contorce no ardido. Mas gosto quando ele a beija, e o faz como se nada mais além de céu da boca e terra do corpo fosse realizável. Movimentos circulares que se perdem na escolha entre um passo atrás ou a total união dos corpos. Deixa meu universo em pleno olho do furacão. Gosto quando a língua dele, forte, domina meu espaço entre os dentes, ultrapassando todos os limites da preponderância.
Uma língua pode ajudar a esconder o segredo contido no envelope, no estancamento do sangue correndo do lado de fora ou na provocação úmida dos ouvidos.
Mas gosto quando ele a beija e o faz como se alcançasse as estrelas que escondo no céu da boca.
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Samantha Abreu

Reestreia: Versos de Falópio!

Queridos,
reestreia hoje o Versos de Falópio!
com um time (quase) novo de 6 mulheres,
e um homem diferente por domingo, jogado na cova, entre elas.
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O primeiro corajoso é Tavinho Paes.
Confira:
http://versosdefalopio.blogspot.com/