sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

não somos perdoáveis

... porque mesmo no natal, a um passo depois da linha não somos mais perdoáveis:

Texto meu, o sotaque paranaense e o amadorismo de sempre.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Meu Mar de Mortos

foto de lina scheynius

Sonhei que pendurava todas as minhas ânsias no anzol das oportunidades. Mordiscavam as chances de amor e liberdade, mas não eram fisgadas. Também sonhei que em cada novo anzol reluziam todos os meus desejos, todo meu torpor e toda a febre que me arde do princípio ao fim. Do princípio ao fim. As chamas. A fogueira. Todos pendurados na ponta do anzol. Joguei ao mar, carregando o braço com toda força nascida do vácuo, do ardor vazio e espaçoso que escondo por detrás das frestas. No instante em que finalmente a primeira chance de vida mordeu meu anzol, o mar se tornou um imenso e negro purgatório de ensejos aniquilados. Negro e infinito mar de mortos, tão desmedido que me saltava desconhecimento de mim aos meus próprios olhos. Chorei por cada um nos inumeráveis cadáveres das minhas perspectivas.
Joelhos ao chão, rezei por todos eles.
Rezei por eles, por mim e por esse imenso mar que diariamente me molha as canelas, asseverando o momento inesperado da fatal marulhada.


Samantha Abreu

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

a poesia, essa louca

foto de Carlos Boselli
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É, ontem foi bom demais. As pessoas, o ar, as poesias do Mario.
Muitos amigos do Mario estavam por lá. Leituras de Chris Vianna, Célia Musilli, Herman Schimidt, Beatriz Bajo, Rodrigo Garcia Lopes, dessa que vos escreve, Alexandre Horner, Áurea Palhano, Valquir Fedri, Mauricio Arruda Mendonça, Nelson Capucho, e o microfone aberto. Ainda tivemos a honra de uma canja do Bernando Pelegrini cantando uma das cancões que compôs com o Marião.
O clima de amizade e força era tão intenso, que não há como não acreditar que o Mario vá sair dessa logo. E, aliás, já está saindo.
Foi muito bacana!
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Ah!
E Amanhã, dia 10, começa uma série de eventos culturais em comemoração aos 75 anos de Londrina (sim, minha cidade ainda é uma cidade adolescente), confira aqui:
http://www.culturapresente.art.br/#Calendario
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Eu estarei no Cabarezinho, de 10 a 13/dezembro.
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Corre pra cá!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ainda vale pelos diferentes...

Penso que a coisa mais bacana do mundo é notar como as pessoas são diferentes umas das outras. Ainda bem. Se assim não fosse, talvez o Bortolotto tivesse se escondido atrás de uma mesa, corrido, obedecido, e evitado os tiros. Tem babaca dizendo que ele deveria ter feito isso e destilando toda a filosofia de como não reagir em assaltos. Tá certo. Para algumas pessoas isso, de fato, é conveniente e normal. Para o Mario, não.
Todo mundo sabe, aqui em Londrina e vários outros lugares, que o Mario jamais seria subserviente, mais ainda a um bandido, mais ainda quando a violência acontece contra seus amigos. Ainda bem que as pessoas não são iguais. Mario não tem medo. Quem tem medo é a gente. Medo de que ele nos deixe e deixe um mundo ainda mais desinteressante. Medo de que não tenhamos textos e músicas novas dele.
Mas, por outro lado, fica a certeza da força que aquele cara tem e de que ele vai reagir. De que ainda vai fazer uma ironia maravilhosa sobre essa desgraça e tomar cerveja com a gente.

Amanhã, 08 de dezembro, faremos um Ato pela recuperação do Mario e contra a violência,
na Vila Cultural Cemitério de Automóveis (Rua João Pessoa, 103, em Londrina). No ato serão lidos poemas e trechos de peças do dramaturgo londrinense. Atores, escritores e amigos do dramaturgo participam do evento, aberto a todos os interessados.
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Se estiver por aqui, apareça!