sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tomadas, I love You

Espero que você já tenha assistido ao filme New York, I love you (EUA, 2009). Caso ainda não, faça logo. O filme é do mesmo diretor geral e criado no mesmo gênero de ‘Paris, je t’aime’. É composto por onze curtas (todos com direção e roteiro independentes), com um elenco fantástico e dedicado a Anthony Minghella.
De forma incrivelmente sensível, diferentes formas de amor e paixão são retratadas tendo sempre a modernidade e diversidade da cidade como plano de fundo. Amores adormecidos, rejeitados, idealizados são vividos de forma doce e tocante.
Cito, por exemplo, o curta escrito e dirigido pelo Fatih Akin, que conta a história do amor platônico de um pintor por uma chinesa de Chinatown. A arte e o amor são misturados de uma forma tão homogênea, que não se percebe a linha tênue entre o desejo e a admiração. O jeito silencioso de dizer através de olhares, de trilhas, de tomadas. Acho isso o supra sumo da sensibilidade. E quem, pergunto eu, atualmente tem sensibilidade na forma? Ok, alguns artistas. Mas eu penso que a arte – com raras exceções – retrata a vida, as emoções, as paixões. Se vendo o retrato disso conseguimos encontrar sensibilidade, deve ser porque ela ainda exista, certo? E onde está? É, exatamente: no jeito silencioso de dizer através de olhares, de trilhas sonoras ou não, de tomadas de vídeo ou de visão.
Você já parou pra perceber isso? Hoje?
Você compreendeu em muitos momentos a doçura e a beleza do silêncio? Já se pegou ritmado e vendo a coisa acontecer de forma maravilhosamente livre e cadente? Você já mudou sua tomada de um olho para o outro, deixando de ver o óbvio?
Sim, é difícil. Mas não é a vida que imita a arte, meu bem.
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3 comentários:

Marcos Satoru Kawanami disse...

Samantha,

identifiquei-me com este post.

faço arte pela arte.

cultuo a forma.

concordo com Glauber Rocha: cinema se faz com uma câmara na mão, e uma idéia na cabeça.

mas, com dolar da Tristar, ajuda, né?

eu não tenho orçamento, senão fazia algum filme: quem agüenta rodar um roteiro épicocaipirastrofísicometafisicometalingüisticonírico?

tendo dólar, tô dentro. abro mão do direito autoral. não quero receber nem um centavo, só o crédito de ter escrito a estória.


=D
marcos

Pedro disse...

Esse filme é ótimo mesmo. Achei ele bem mais regular do que o de Paris, que alterna alguns ótimos curtas com outros bem fracos. Pelo que parece, farão também no Rio, Hong Kong e Berlim, que deve ser o próximo a sair.

F. Reoli disse...

Saudade de tudo aqui, Sam. Você tem sempre uma palavra certa, uma dica dentro da manga ( além de um sorriso incrível, né? rs)
Beijos