sexta-feira, 26 de março de 2010

Pequenas Confissões

foto de jessica
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Tenho uma dor que ainda não foi descoberta.
Ninguém soube medicar, é uma dor muda e estrangeira. Uma dor liquefeita que me derrete por dentro e me dilui o reconhecimento. Escorre por minhas pernas, menstruando vida de mim.
Por outro lado, essa dor me concebeu uma insistência paciente: a de saborear o tormento do quase, do talvez, do quem sabe. Vem dela, da indecifrável via, o fascínio pelo imperfeito.
E é nisso que hoje me consumo: no encantamento pelas correntes que me transbordam para o mundo e que me privam de almejar a completude.
O que fica em mim é sempre o desejo dessa dor anônima.



Samantha Abreu

11 comentários:

Paulo Bono disse...

a dor do quase.
é capaz de matar.

Iago disse...

Adoro suas palavras, são inspirantes para mim...

nosbor.araujo disse...

3/28/2010
Anta Lógica



Algo maior do que não se pode pensar é a separação daquilo que se pode pensar, por qualquer regra em mente, não existe nada maior na realidade, enquanto estiver buscando o maior, ou o menor, continuas separando; portando o diabólico discurso. Não existe contradição entre o maior e o que não se pode pensar, entre o menor e o que se pode pensar?


Não existe conclusão para o que passa entre realidade e pensamento, pois apenas passa, nunca será.


Portanto: todo deus é minúsculo diante do grande nada, e passa como as galáxias de distâncias que não serão medidas.
Postado por Robson

Pedro disse...

Há também prazer na dor.

Linda Graal disse...

linda, como sempre! ;)

Mistério do Planeta disse...

gostei demais de seus escritos.


e tomei a ousadia de pegar alguns, antes eu deveria passar aqui e pedir permissão, não fiz...


tem problema? caso tenha algo, deixa um recado lá na página que eu apago :)


beijo!

Chantal Garrett disse...

"O que fica em mim é sempre o desejo dessa dor anônima."


O desejo incomunicável e incompreensível. Tb sofro deste mal!

=*

Giz disse...

Somos todos dores anônimas.

Parabéns, encantadora a sua forma de expressão.

Denise disse...

Dilascerante dor

aluisio martins disse...

Lapidante dor poética e mulher, coisa intima como beijar a lingua da vida.

todavia, mas, porém... disse...

Essa dor aqui, comigo, é recorrente. No meu blog talvez você perceba. Vou passar sempre aqui.