domingo, 11 de abril de 2010

Farelos de Autodomínio

foto de margarida delgado

Cerro os punhos
para estancar
as linhas que me cortam,
não para impedi-las do
fatal trajeto
- já não me assusta o futuro –
mas para oprimir
os fantasmas que as começam.

São eles,
os primogênitos defeitos,
que merecem a tirania consistente
dos nervos
que me sobejam.

Cerro os punhos
com a força de quem vence batalhas,
com a resistência inabalável
de quem se apodera do tempo.

Quando abro a mão,
com um assopro
levanto o pó de todas as vias.



Samantha Abreu

6 comentários:

Celia disse...

Lindo poema e estou doidinha pra ver os outros na Coyote. Um beijo, saudades!!! Em maio estarei por aí...

Margarida disse...

Coincidencia :)

Obrigado mais uma vez por escolheres palavras tão bonitas para as minhas fotos

L. Rafael Nolli disse...

Samantha, belo poema. E parabéns pela publicação na Coyote!

Karen Debértolis disse...

mui lindo, beijos.

todavia, mas, porém... disse...

Gostei do tom, gostei da forma, gostei da forma que senti. E você sente.

Cláudia I, Vetter disse...

surpreendes para o melhor, sempre.

lindíssimo!