domingo, 31 de outubro de 2010

da força na solidão

foto de eugenio recuenco

Você não sabe, mas sou outro tipo de mulher.
Trago aqui dentro o egoísmo e a força dos que vivem sós.
Trago a noite acalentada pelo fogo, um copo molhado por uma saliva quente. Carrego a ânsia dos que fervem em um campo de batalha, e a excitação dos que sentem o calor do sangue untando a lâmina.
Junto dessa força, a indiferença dos desconexos.
Se me escancararem as portas, desabarão irrepresáveis lágrimas que ninguém conhece. Eu não as estampo nem deixo que se apeteçam das minhas feridas.

Você não sabe, mas sou outro tipo de mulher.
A mim só interessa vencer a própria guerra sem mostrar, jamais, de onde desembainho a espada.


Samantha Abreu

6 comentários:

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

É...
Muito bom!


Beijos.

Sunflower disse...

Sempre me faz sorrir vir aqui.

Moska de Bar disse...

Tudo é mistério. O resto é geografia. E você nesse constante bom combate. Eu gosto.
Beijo

Maurício Arruda Mendonça disse...

Lindo texto, Samantha! Aliás, você é uma superpoeta. Beijo.

Lucia M. Ghaendt-Möezbert disse...

Outro tipo, outros tipos... "Junto dessa força, a indiferença dos desconexos". Suas palavras têm força. E conteúdo.

anjobaldio disse...

Como sempre, texto maravilhoso. Grande abraço.