sábado, 24 de julho de 2010

O Golpe

foto de Olivia Arthur

A diferença entre a pancada e tombo está no cambalear das pernas.
As mesmas que vibram durante o ato - teu dia amanhecendo em mim – são as que cedem diante do fato de que tua ausência seja sempre
passagem.

O teu perfeito golpe me pega na rigidez das coxas, para o amparo dos braços antes da queda. Mas o tombo chega inelutável, fazendo do sonho o susto
sempre depois do nascer do dia
o nocaute, a lona.


Samantha Abreu

terça-feira, 13 de julho de 2010

LANÇAMENTO: A FACE DO FOGO

É amanhã, aqui em Londrina, o lançamento do A FACE DO FOGO,
livro de poesia da minha amiga Bia Bajo.
Poesia que derrete, você tem que saber.



"Beatriz Bajo escreveu um livro de fotografias. A danada fricciona uma pedra na outra até que uma labareda dê sua graça. Não é metáfora, é realismo químico. Palavras se roçam, imagens explodem, ao leitor é só preciso fruir por suas linhas dançantes. As propriedades do fogo são colocadas em lâminas, página a página. Ora o texto rebola seu contorno azul, frio. Ora o texto é o centro da chama, fixo e irradiador.
Há muitas despedidas, algumas como resultado de um rompimento, outras como um distanciamento calculado do objeto. Ação e reação, sempre numa agonia, numa vigilância para que o vento não escureça o quarto, apagando a vela.

A face do fogo é um livro para muitos, e é certo que ele se espalhará, começando por você."

Andréa Del Fuego

E mais:
Na noite haverá ainda Sarau com poemas de Beatriz Bajo com o Grupo Artistas Independentes, show com Benditos Energúmenos, muita música, vinho e gente bacana.

domingo, 11 de julho de 2010

Homem do Sinal

susan burnstine

Tem um homem abandonado na esquina,
roto e com rosto de muitas insônias.
É um homem que fugiu para tentar
o custoso equilíbrio
entre vida e algum tipo de morte.
Aquele homem na esquina
me molesta, me invade os vãos
como se me arrancasse do sonho.

Anda sujo
através dos dias de todas as cores,
estendendo a mão para janelas,
para a minha.
Não tem deveres ou valimento, aquele homem,
mas com algum tipo de cartão me corta um filete de gengiva
e me arrepia a espinha com um tremor obsceno.

Meu medo vem do assombro
pela renúncia das ilusões que o acompanhavam.
Aquele homem se transforma em mim
enquanto passo apressada pelo sinal,
quando me esqueço do sorriso diário,
ou do simulado bom dia.
Sou eu entre vitrines,
entre tilintar de copos nos bares,
ou meu fácil e desprezado acesso à Rimbaud.

Aquele homem é meu rosto do lado de dentro da janela.

O que vejo lá fora
não é mundo,
é reflexo.


Samantha Abreu

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Corri aqui pra contar

Em seis anos de transbordo nesse blogue, nunca estive tão relapsa.
Mas a explicação é válida pra mim. Bem válida, aliás:

Está esperneando em mim uma fantasia feita de papel, tinta e mais ou menos oitenta páginas.

Trago notícias em breve.