foto de lauren bentley
Sueli trabalha no hotel Remanso, na metade da BR365. Sua mãe também já trabalhou lá e ensinara a filha que devia impor respeito àqueles homens sem paradeiro que passavam pelo local. Explicara que eles procuravam por descanso, chuveiro e alguma companhia. E que não fosse a dela!
A garota, desde então, se veste castamente e não sabe olhar nos olhos. Disfarça, abaixa o olhar, não encara. Quando a mãe percebeu o sucesso da boa educação, descansou a sete palmos de onde os pés fazem eco.
No restaurante do hotel, alguns caminhoneiros perguntam curiosos e excitados pela garota que deixa as tais fitas de vídeo nos quartos.
Sueli sabe fingir, mas gosta mesmo é de arrancar a roupa todas as vezes que faz a arrumação daquelas camas e sente o cheiro daqueles desconhecidos. Leva a câmera dentro do cesto com lençóis e faz daqueles quartos sujos seu pequeno estúdio de fantasias. A que mais gosta é pintar as unhas dos pés de vermelho e se imaginar de pernas ao alto, dentro de uma boleia.
Se existisse mesmo vida após a morte, a mãe já teria voltado para acabar com tamanho desgosto.
Samantha Abreu


