domingo, 20 de março de 2011

O Arfar do Mistério

foto de Greg Kadel

Você deve juntar todas as forças
e malas vazias
para poder partir em direção ao mistério. Parecerá desmesura de encanto, mas aprende-se que é mais doloroso. Todo mergulho traz consigo o bater seco na água. O afundar, o sufoco.
Um segredo na pressão nos ouvidos, o peito contraído e um quase morrer. Um quase morrer... de coração que se esmaga entre dedos.
Quanto mais fundo, mais apertado.
Quanto mais mistério, mais despedaço.

Esse triz de privar o sopro terminando com o soco do fundo. Já sem peito e sem ar, o chão. Um agachar que arremessa a volta. Todos os nervos já estreitados e o buscar louco pelo novo fôlego.
É na subida que te pega o sortilégio: pouca força nas pernas, já não há tona.


Samantha Abreu

4 comentários:

nydia bonetti disse...

viver é travessia
a nado
no mar gelado
nunca se chega ao fim
nunca se chega
morre-se pelo caminho
de frio
de exaustão
ou afogado
- enquanto há vida
náufragos
à deriva

Que belo texto Samantha! Beijos.

Felicidade Clandestina. disse...

Escrita linda , a gente vai tomando palavra por palavra até não pode mais. Eu gostei um bocado deste post

Um beijo doce

Kleber disse...

coisa linda.

Nasci disse...

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