sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Chuva Nascente


Eu nasci em um dia de chuva, com barulho fino na janela. Barulho fino e contínuo, quase um incômodo.

Acho que vem daí essa minha irritação pelas constâncias, essa minha aflição pela persistência.
Não confunda com latência. Essa ficou grudada pela chuva fina na vitrine do mundo.

Seria apenas mais um dia molhado abafando o assovio do vento, mas eu estourei: engolindo a vida toda em um único berro.

E assim que é até hoje, esse meu exagero de dentro.
Um fim de mundo de nascença.


Samantha Abreu
foto de pawel-stefaniak

4 comentários:

Paulo Castro disse...

É isso.
O pra dentro
é o mais fora.
O gozo ensina isso.
Vale pra tudo.
God Save The Queen.

Beijos.

L. Rafael Nolli disse...

Samantha, lindo o poema. Essa última frase é de uma força tocante, dá para apalpar essa atmosfera!
Abraços!

Magé 林 disse...

Lindoooo!!!
À flor da pele,sempre!
ADORO!
Bjosssssssss............

Rosangela disse...

Profunda e bela sua concepção. Gostei.