domingo, 18 de setembro de 2011

GUERRILHA

foto de eugenio recuenco

A gente finge que sente o que gostaria de sentir se não fingisse.
Simulo que não, ele provoca que sim. E tem fácil acesso, nome na lista, ingresso vip. Entra, carrega as malas, as balas e todos os concordantes motivos. Ele me arranca os sorrisos, os suspiros. Arrasa todos os atinos.
Faz que não faz e desfaz a completa certeza do não.
E daí já não sei já não importa: roupa, brincos e cordas. O banco de trás, o beco e o balcão: guerra indeclarável pelo território alheio. Língua na boca do outro e cerveja esquentando na mão.
Enquanto ele derrete, eu sua. Meu líquido e rubro amor que escorre. Terra invadida que toma e ferve por toda a veia que corre, briga no escuro, gangue de rua.
Antes do fim, a não morte do que arde. A não morte do que pega e do que invade.


Samantha Abreu