Mulher de muitos cabides, acostumei a manter as fantasias esticadas e livres.
Quando as dobrei para guardá-las na mala de fuga, comecei a sentir as dores. A cada dobra uma contração de parto retido. A primeira fisgada na altura do ventre, depois nos seios e nos braços.
Empilhei fantasia sobre fantasia dentro da minha bolsa de segredos intocáveis. Contorcidas, gemiam umas sob as outras.
Empilhei fantasia sobre fantasia dentro da minha bolsa de segredos intocáveis. Contorcidas, gemiam umas sob as outras.
Mas foi no momento de trancá-las que começaram os gritos. Já me acostumei às contínuas dores e ardumes das dobras, mas os gritos... os gritos...
Eu, Pandora desvairada, já não posso mais pendurá-las. Hoje me amedronta desatar tanta amargura entre elas abafada.
Samantha Abreu
texto do livro "Fantasias para quando vier a chuva"
foto de delilah woolf

3 Revelaram-se:
Imagine o quanto existe de mistério por trás da Pandora de cada mulher!
Belo texto, Samantha!
Beijos
Bonito isso e pensar que ainda não tenho seu livro, Samantha, preciso ir buscar né? rs Bjs.
apareci,lindo seu poema.
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